quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Arte da Prece - Uma Antologia Ortodoxa. (Capítulo III - iii) A Oração de Jesus - parte 2-

A ARTE DA PRECE





Uma Antologia Ortodoxa

compilada pelo





Hegúmeno Chariton de Valamo









CAPÍTULO III





A ORAÇÃO DE JESUS por vários autores

















(iii) A ORAÇÃO DE JESUS – Parte 2









Deus com Três Faces – Estátua Dourada – Colônia – Séc. XVII







O lugar das técnicas respiratórias (i)



No tratado de Simeão, o Novo Teólogo, sobre as três formas de oração, nos trabalhos de Nicéforo, o Monge , e na Centúria de Calisto e Inácio Xanthopouloi – todas pertencentes à Filocalia – o leitor encontrará instruções sobre a técnica onde a mente pode ser introduzida ao coração com o auxílio da respiração física; em outras palavras, um método mecânico desenvolvido para nos ajudar a obter a oração interna. Este ensinamento dos Padres criou e continua a criar muitas perplexidades para seus leitores, embora de fato não haja, realmente, nada de difícil a respeito. Nós aconselhamos nossos amados irmãos a não tentar a prática desta técnica mecânica a menos que ela se estabeleça por si própria neles. Muitos que tentaram aprendê-la pela experiência prática prejudicaram seus pulmões e não conseguiram nada. A coisa essencial para a mente é unir-se ao coração na oração, e isto é efetuado pela graça divina, em seu próprio tempo, determinada por Deus. O método mecânico descrito nestes escritos é plenamente substituído por uma tranquila repetição da prece, com breve pausa depois de cada uma, uma respiração calma e constante, e um envolvimento da mente nas palavras da oração. Com o auxílio de tais meios podemos facilmente obter certo grau de atenção. Pouco tempo depois, o coração começa a estar em simpatia com a atenção da mente na medida em que ela está orando. Pouco a pouco, a simpatia do coração com a mente começa a transformar-se numa união da mente e do coração; e então a técnica mecânica sugerida pelos Padres aparecerá por si própria. Todos os métodos mecânicos de caráter material são sugeridos pelos Padres apenas como auxílios para uma mais rápida e fácil obtenção da atenção durante a prece, e não como algo essencial. O elemento essencial e indispensável na prece é a atenção. Sem atenção não há oração. A verdadeira atenção, dada pela graça, chega quando nosso coração morre para o mundo. Auxílios sempre permanecem sendo nada mais que auxílios. A união da mente com o coração é uma união dos pensamentos espirituais da mente com os sentimentos espirituais do coração.



BISPO IGNATII



The place of breathing techniques (i) (p. 104)



In the treatise of Simeon the New Theologian about the three forms of prayer, in the works of Nikephoros the Monk, and in the Century of Kallistos and Ignatius Xanthopoulos—all contained in the Philokalia—the reader will find instructions about the technique whereby the mind can be introduced into the heart with the aid of physical breathing—in other words, a mechanical method designed to help us achieve inner prayer. This teaching of the Fathers has created and continues to create many perplexities for its readers, although in fact there is really nothing difficult about it. We advise our beloved brethren not to try to practise this mechanical technique unless it establishes itself in them of its own accord. Many who have attempted to learn it by practical experience have damaged their lungs and achieved nothing. The essential thing is for the mind to unite with the heart at prayer, and this is accomplished by divine grace, in its own time, determined by God. The mechanical method described in these writings is fully replaced by an unhurried repetition of the prayer, a brief pause after each prayer, quiet and steady breathing, and enclosing the mind in the words of the prayer. With the aid of such means we can easily achieve a certain degree of attention. Before long the heart begins to be in sympathy with the attention of the mind as it prays. Little by little the sympathy of the heart with the mind begins to change into a union of mind and heart; and then the mechanical technique suggested by the Fathers will appear by itself. All the mechanical methods of a material character are suggested by the Fathers solely as aids for a quicker and easier attainment of attention during prayer, and not as something essential. The essential, indispensable element in prayer is attention. Without attention there is no prayer. True

attention, given by grace, comes when we make our heart dead to the world. Aids always remain no more than aids. The union of the mind with the heart is a union of the spiritual thoughts of the mind with the spiritual feelings of the heart.



BISHOP IGNATII









S. Máximo de Kapsokalyvia – Monte Atos – Séc. XIV.





O lugar das técnicas respiratórias (ii)



S. Simeão e outros escritores na Filocalia sugerem métodos físicos para serem usados em conjunto com a Oração de Jesus. Algumas pessoas ficam tão absorvidas nestes métodos externos que elas esquecem o apropriado trabalho da prece; em outros, a própria prece é distorcida pelo uso destes métodos. Desde que, pois, por falta de instrutores, estas técnicas físicas podem ser acompanhadas por efeitos prejudiciais, nós não as descrevemos. De qualquer modo, elas nada mais são do que um auxílio externo para o trabalho interno e não são, de maneira alguma, essenciais. O que é essencial é isto: obter o hábito de permanecer com a mente no coração – de estar dentro deste nosso coração físico, embora não fisicamente.

É necessário fazer a mente descer da cabeça ao coração e se estabelecer ali, ou, como um dos Padres o colocou, unir a mente com o coração. Mas como isto pode ser obtido?

Busque e você encontrará. O modo mais fácil para obter isto é caminhando diante de Deus, e através do trabalho da oração, especialmente indo a Igreja.

Mas devemos lembrar que nossa é somente a labuta; o objeto em si, isto é, a união da mente e do coração, é um dom da graça, que o Senhor nos concede tanto e quando Ele quer. O melhor exemplo é aquele de Máximo de Kapsokalyvia.



TEÓFAN, O RECLUSO



The place of breathing techniques (ii) (p. 105)



St. Simeon and other writers in the Philokalia suggest physical methods to be used in conjunction with the Jesus Prayer. Some people are so much absorbed in these external methods that they forget about the proper work of prayer; in others, prayer itself is distorted because of using these methods. Since, then, for lack of instructors these physical techniques may be accompanied by harmful effects, we do not describe them. In any case they are nothing but an external aid to inner work and are in no way essential. What is essential is this: to acquire the habit of standing with the mind in the heart—of being within this physical heart of ours, although not physically.

It is necessary to bring the mind down from the head into the heart and to establish it there, or, as one of the Fathers put it, to join the mind with the heart. But how can this be achieved?

Seek and you will find. The easiest way to achieve it is by walking before God, and by the work of prayer, especially by going to church.

But we must remember that ours is only the labour; the object itself, that is, the union of mind and heart, is a gift of grace, which the Lord grants to us as and when He chooses. The best example is Maximos of Kapsokalyvia.



THEOPHAN THE RECLUSE







Crianças conversando com seu Pai



Não se deixe levar por métodos externos ao praticar a interna Oração de Jesus. Para algumas pessoas elas são necessárias, mas não para você. Em seu caso, o tempo para tais métodos já passou. Você já deve ter conhecido, por experiência, o local do coração sobre o qual eles falam: não se preocupe pelo resto. O trabalho de Deus é simples: é a oração – crianças conversando com seu Pai, sem quaisquer subterfúgios. Possa o Senhor lhe dar sabedoria para sua salvação.

Para aquele que ainda não encontrou o caminho para entrar dentro de si, peregrinações a lugares sagrados são uma ajuda. Mas para aquele que o encontrou elas são uma dissipação de energia, pois o forçam a sair da mais íntima das partes de si mesmo. É o momento para você, agora, aprender mais perfeitamente como ficar dentro. Você deveria abandonar seus planos externos.



TEÓFAN O RECLUSO







Children talking to their Father (P. 106)



Do not be led astray by external methods when practising the inner Jesus Prayer. For some people they are necessary, but not for you. In your case, the time for such methods has already passed. You must already know by experience the place of the heart about which they speak: do not bother about the rest. The work of God is simple: it is prayer—children talking to their Father, without any subtleties. May the Lord give you wisdom for your salvation.

For someone who has not yet found the way to enter within himself, pilgrimages to holy places are a help. But for him who has found it they are a dissipation of energy, for they force him to come out from the innermost part of himself. It is time for you now to learn more perfectly how to remain within. You should abandon your external plans.



THEOPHAN THE RECLUSE





Crescimento na oração não tem fim



Você lê a Filocalia? Bom. Não se deixe confundir pelos escritos de Inácio e Calisto Xanthopouloi, Gregório do Sinai, e Nicéforo. Tente achar se alguém tem a vida do stárets Paissy Velichkovsky. Ela contém prefácios a certos textos na Filocalia, compostos pelo stárets Basil , e estes prefácios explicam sobre o lugar das técnicas mecânicas quando se recita a Oração de Jesus. Eles irão ajudá-lo, também, a compreender todas as coisas corretamente. Eu já havia lhe dito que no seu caso estas técnicas mecânicas não são mais necessárias. O que elas iriam produzir você já possui do momento que você sentiu o chamado à prática da Prece. Mas não chegue a concluir, equivocadamente, que sua jornada no caminho da oração já se completou. O crescimento na oração não tem um fim. Se este crescimento pára significa que a vida pára. Possa o Senhor salvá-lo e lhe ter misericórdia! É possível perder o estado correto, e aceitar a mera memória dele como sendo o próprio estado. Deus proíba que isto aconteça a você!

Você sente que sofre de pensamentos errantes. Tome cuidado: isto é muito perigoso. O inimigo quer conduzi-lo em algum matagal e ali matá-lo. Os pensamentos começam a errar quando o temor a Deus diminui e o coração se resfria. O resfriamento do coração é causado por muitas coisas – principalmente, por convencimento e presunção. Estes estão muito próximos da sua natureza. Atento a eles, e apresse-se em restaurar o temor a Deus e um sentimento de calor em sua alma.



TEÓFAN, O RECLUSO

Growth in prayer has no end (p. 106)



You read the Philokalia? Good. Do not let yourself be confused by the writings of Ignatios and Kallistos Xanthopoulos, Gregory of Sinai, and Nikephoros. Try to find whether someone has the life of the staretz Paissy Velichkovsky. It contains prefaces to certain texts in the Phiiokalia, composed by the staretz Basil, and these prefaces explain about the place of mechanical techniques when reciting the Jesus Prayer. They will help you, too, to understand everything correctly. I have already told you that in your case these mechanical techniques are not necessary. What they would produce you already possessed from the moment you felt the call to practise the Prayer. But do not come to the wrong conclusion that your journey on the path of prayer is already completed. Growth in prayer has no end. If this growth ceases it means that life ceases. May the Lord save you and have mercy on you! It is possible to lose the right state, and to accept the mere memory of it as being the state itself. God forbid that this should happen to you!

You feel that you suffer from wandering thoughts. Take care: this is very dangerous. The enemy wants to drive you into some thicket and kill you there. Thoughts begin to wander when the fear of God decreases and the heart grows cool. The cooling down of the heart is caused by many things—chiefly by smugness and conceit. These are very close to your nature. Beware of them, and make haste to restore the fear of God and a feeling of warmth to your soul.



THEOPHAN THE RECLUSE











Dois dos Quatro Volumes da Filocalia Grega em Inglês – (Faber & Faber – 1995)



Leitura espiritual. Autores Russos são mais fáceis que os Gregos



Todos os escritos dos Padres Gregos são dignos do mais profundo respeito pela riqueza da graça e sabedoria espiritual que residem neles e respiram deles. Mas os escritos dos Padres Russos nos são mais acessíveis que aqueles das autoridades gregas, devido à particular clareza e simplicidade de exposição deles, e também porque eles nos são mais próximos no tempo. Os escritos do stárets Basil são os primeiros livros que deveriam ser consultados por qualquer um que deseja praticar a Oração de Jesus com sucesso. Na verdade, o stárets os escreveu especialmente com este propósito em mente. Ele os batizou de ‘introduções’ ou ‘estudos preliminares’, que preparam o leitor para os Padres Gregos.

BISPO IGNATII



Spiritual reading. Russian authors are easier than Greek (p. 107)



All the writings of the Greek Fathers are worthy of the deepest respect because of the wealth of grace and spiritual wisdom living in them and breathing from them. But the writings of Russian Fathers are more accessible to us than those of the Greek authorities, owing to their particular clarity and simplicity of exposition, and also because they are closer to us in time. The writings of the staretz Basil are the first book which should be consulted by anyone wishing to practise the Jesus Prayer successfully. Indeed, the staretz wrote them specially with this purpose in mind. He termed them 'introductions' or 'preliminary studies', which prepare the reader for the Greek Fathers.



BISHOP IGNATII





Como planejar nossa leitura



Na questão da leitura deveríamos ter em mente a principal meta de nossa vida, e escolher aquelas coisas que estão de acordo com ela. Então, aquilo que resultar ficará integrado, coerente, e, portanto, forte. Esta solidez de conhecimento e convicção também dará força ao nosso caráter como um todo.



TEÓFAN, O RECLUSO



How to plan our reading (P. 107)



In the question of reading we should bear in mind the principal aim of our life and choose those things which accord with it. Then something will result that is integrated, coherent, and therefore strong. This solidity of knowledge and conviction will give strength also to our character as a whole.



THEOPHAN THE RECLUSE









A Arte da Prece – (Faber & Faber, 1997)





Mãe de Deus – Versão do Ícone de Feodorovskaya – Rússia Séc. XX



Não são as palavras que importam, mas seu amor por Deus



Se o seu coração se aquece através da leitura de preces comuns, então acenda seu calor interno a Deus desta maneira.

A Oração de Jesus, se dita mecanicamente, é sem valor: não é de maior ajuda que qualquer outra prece falada por língua e lábios. Ao recitar a Oração de Jesus, tente, ao mesmo tempo, ativar a percepção de que nosso Senhor Ele Próprio está perto, que Ele está em sua alma e escuta o que está acontecendo ali dentro. Desperte em sua alma a sede pela salvação, e a certeza de que só nosso Senhor pode trazê-la. E então clame Àquele que você vê diante, em seus pensamentos: ‘Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tenha piedade de mim’, ou: ‘Oh, misericordioso Senhor, me salva pelo caminho que Tu conheces’. Não são as palavras que importam, mas seus sentimentos em direção ao Senhor.

A combustão espiritual do coração a Deus nasce do nosso amor por Ele. O coração se acende através do toque do Senhor. Porque Ele é inteiramente amor, Seu toque no coração, imediatamente, acende amor por Ele; e deste amor chega a combustão do coração em direção a Ele. É isto que deve ser o objeto de sua busca.

Faça com que a Oração de Jesus esteja na sua língua; faça com que a presença de Deus esteja diante de sua mente; e em seu coração faça com que haja sede por Deus, por comunhão com o Senhor. Quando tudo isto tornar-se permanente, então o Senhor, vendo como você se esforça, dará aquilo que você pede.



TEÓFAN, O RECLUSO



It is not the words that matter, but your love for God (p. 108)



If your heart grows warm through reading ordinary prayers, then kindle its inner warmth towards God in this way.

The Jesus Prayer, if said mechanically, is valueless: it is no more help than any other prayer spoken by the tongue and lips. As you recite the Jesus Prayer, try at the same time to quicken your realization that our Lord Himself is near, that He stands in your soul and listens to what is happening within it. Awaken in your soul the thirst for salvation, and the assurance that our Lord alone can bring it. And then cry out to Him whom in your thoughts you see before you: ‘Lord Jesus Christ, Son of God, have mercy upon me,’ or: ‘O merciful Lord, save me by the way that Thou knowest.’ It is not the words that matter, but your feelings towards the Lord.

The spiritual burning of the heart for God springs from our love towards Him. It kindles from the Lord's touch on the heart. Because He is entirely love, His touch on the heart immediately kindles love for Him; and from love comes burning of the heart towards Him. It is this which must be the object of your search.

Let the Jesus Prayer be on your tongue; let God's presence be before your mind; and in your heart let there be the thirst for God, for communion with the Lord. When all this becomes permanent, then the Lord, seeing how you exert yourself, will give you what you ask.



THEOPHAN THE RECLUSE







Deus Criando a Luz – Alfa e Ômega - Iluminura de Manuscrito



A centelha de Deus



O que nós buscamos através da Oração de Jesus? Buscamos que o fogo da graça apareça em nosso coração, e buscamos pelo início da oração incessante que manifesta um estado de graça. Quando a centelha de Deus cai no coração, a Oração de Jesus a ventila até pegar fogo. Por si mesma a oração não produz a centelha, mas nos ajuda a recebê-la. Como ela ajuda? Reunindo nossos pensamentos, capacitando a alma a estar diante do Senhor e a caminhar em Sua presença. Esta é a parte mais importante – permanecer e caminhar diante de Deus, clamar por Ele do nosso coração. Isto foi o que Máximo de Kapsokalyvia fez e todos aqueles que buscam o fogo da graça deveriam fazer o mesmo. Eles não deveriam se preocupar com palavras e posições do corpo, pois Deus olha para o coração.

Eu estou lhe contando isto porque algumas pessoas esquecem completamente sobre o chamado do coração. Toda a preocupação delas está nas palavras e na posição do corpo, e tendo recitado a Oração de Jesus certo número de vezes numa escolhida posição, com prostrações, descansam satisfeitas com isto, não sem auto-estima, não sem criticar aqueles que vão a igreja para a ordem habitual de oração. Algumas pessoas vivem suas vidas desta forma e são desprovidas de graça.

Se alguém me perguntasse como realizar a tarefa da oração, eu diria a ele: habitue-se a caminhar na presença de Deus, mantenha a recordação Dele, e seja reverente. Para preservar esta recordação, escolha umas poucas preces curtas, ou simplesmente pegue as vinte e quatro preces curtas de S. João Crisóstomo, e as repita frequentemente com sentimentos e pensamentos apropriados. Na medida em que se habituar a isto, a recordação de Deus trará luz à sua mente e calor ao seu coração. E quando obtiver este estado, a centelha de Deus, o raio da graça, cairá finalmente em seu coração. Não há outra maneira pela qual você pode produzi-la: ela vem direta de Deus. Quando ela chegar, conserve-se apenas na Oração de Jesus, e, com esta prece, assopre a centelha até as chamas. Este é o caminho mais direto.



TEÓFAN, O RECLUSO

God's spark (p. 108)



What do we seek through the Jesus Prayer? We seek for the fire of grace to appear in our heart, and we seek for the beginning of unceasing prayer which manifests a state of grace. When God's spark falls into the heart, the Jesus Prayer fans it into flame. The prayer does not of itself produce the spark, but helps us to receive it. How does it help ? By collecting our thoughts, by enabling the soul to stand before the Lord and to walk in His presence. This is the most important part—to stand and walk before God, to call on Him out of our heart. This was what Maximos of Kapsokalyvia did: and all those who seek the fire of grace should do the same. They should not worry about words and positions of the body, for God looks upon the heart.

I am telling you this because some people altogether forget about calling from the heart. Their whole concern is with the words and with the position of the body, and having recited the Jesus Prayer a certain number of times in their chosen position, with prostrations, they rest satisfied with this, not without self-esteem, not without criticism of those who go to church for the usual order of prayer. Some people live out their lives in this way and are devoid of grace.

If anyone should ask me how to carry out the task of prayer, I would say to him: Accustom yourself to walk in the presence of God, keep remembrance of Him, and be reverent. To preserve this remembrance, choose a few short prayers, or simply take the twenty-four short prayers of St. John Chrysostom, and repeat them often with appropriate thoughts and feelings. As you accustom yourself to this, remembrance of God will bring light to your mind and warmth to your heart. And when you attain this state, God's spark, the ray of grace, will fall at last into your heart. There is no way in which you yourself can produce it: it comes forth direct from God. When it comes, dwell in the Jesus Prayer alone, and with this prayer blow the spark of grace into flame. This is the most direct way.



THEOPHAN THE RECLUSE







Uma pequena centelha



Mais tarde, quando notar que alguém começa a ir mais profundamente à oração, você pode sugerir-lhe que use a Oração de Jesus incessantemente, sempre preservando a lembrança de Deus com temor e reverência. A oração é o mais essencial. O que devemos buscar, principalmente, na oração é a recepção de uma pequena centelha, como a que foi dada a Máximo de Kapsokalyvia. Esta centelha não é atraída por nenhum artifício, mas é dada livremente pela graça de Deus. Por isto o incansável esforço da oração é necessário, como S. Macário diz: ‘Se você deseja obter a oração verdadeira, persevere firmemente na oração, e Deus, vendo quão arduamente você busca, lha dará. ’



TEÓFAN, O RECLUSO



A small spark (p.108)



Later, when you notice that someone begins to go more deeply into prayer, you can suggest to him that he should use the Jesus Prayer unceasingly, always preserving the remembrance of God with fear and reverence. Prayer is the great essential. What we must chiefly seek in prayer is the reception of a small spark, such as was given to Maximos of Kapsokalyvia. This spark is not to be attracted by any artifice, but is given freely by the grace of God. For this the unwearied effort of prayer is necessary, as St. Makarios says: 'If you wish to acquire true prayer, persevere steadfastly in praying, and God, seeing how strenuously you seek, will give it to you.'



THEOPHAN THE RECLUSE







Casa Iluminada - Thomas Kinkade -EUA



Um córrego murmurante



Você pergunta o que é necessário ao rezar a Oração de Jesus. O que fez estava correto. Lembre-se como fez, e continue da mesma maneira. Eu vou lembrar-lhe apenas de uma coisa: deve-se descer com a mente para o coração, e ali permanecer diante da face do Senhor, sempre presente, que tudo vê dentro de você. A oração tem uma firme e constante sustentação quando uma pequena chama começa a queimar no coração.

Tente não apagar este fogo, e ele se estabelecerá de tal modo que a oração repete a si mesma: e então terá dentro de si um pequeno córrego murmurante, para usar a expressão do stárets Parthenii da Lavra de Kiev. E um dos primeiros Padres disse: ‘Quando ladrões se aproximam de uma casa esgueirando-se até ela para roubá-la, e ouvem que alguém está falando dentro, não se atrevem a entrar; da mesma maneira, quando nossos inimigos tentam assaltar a alma e tomar possessão dela, eles rastejam por tudo envolta mas temem entrar quando ouvem o jorro de uma curta oração. '



TEÓFAN, O RECLUSO





A murmuring stream (p. 110)



You ask what is needful in praying the Jesus Prayer. What you did was correct. Remember how you did it, and continue in the same way. I will remind you of only one thing: one must descend with the mind into the heart, and there stand before the face of the Lord, ever-present, all-seeing, within you. The prayer takes a firm and steadfast hold when a small fire begins to burn in the heart.

Try not to quench this fire, and it will become established in such a way that the prayer repeats itself: and then you will have within you a small murmuring stream, to use the expression of the staretz Parthenii of the Kiev Lavra. And one of the early Fathers said: 'When thieves approach a house in order to creep up to it and steal, and hear someone inside talking, they do not dare to climb in; in the same way, when our enemies try to steal into the soul and take possession of it, they creep all round but fear to enter when they hear that short prayer welling out.'



THEOPHAN THE RECLUSE











Esforços humanos e a graça de Deus



Há somente poucas palavras na Oração de Jesus, mas elas contêm tudo. Faz tempo que se reconheceu que esta oração poderia, uma vez fosse adquirida como um hábito, tomar o lugar de todas as outras preces orais. Alguém que se esforça pela salvação é ignorante deste método? Se utilizada da maneira prescrita pelos Santos Padres, esta oração tem grande poder; mas entre aqueles que adquiriram o hábito de recitá-la, nem todos descobriram seu poder, nem todos saborearam seus frutos. Por que isto ocorre? Por que eles desejam alcançar por si mesmos aquilo que é um presente de Deus, vindo somente através de Sua graça.

Não precisamos de qualquer ajuda especial de Deus para iniciar o trabalho de repetir esta oração ao amanhecer, ao anoitecer, ao caminhar, ao sentar-se, ao deitar-se, trabalhando ou descansando. Por sermos assim sempre ativos, podemos, por nós mesmos, treinar a língua a repetir a Oração mesmo sem um esforço consciente. Certo alívio no pensamento pode se seguir a isto, e até mesmo uma espécie de calor do coração. Mas tudo isto, diz o monge Nicéforos na Filocalia, é somente a ação e fruto dos nossos próprios esforços. Parar neste ponto e permanecer satisfeito com uma mera habilidade de papagaio em recitar as palavras Senhor, tenha piedade: é imaginar que obtivemos algo quando realmente não obtivemos nada. Isto é o que acontece quando caímos no hábito de repetir as palavras desta prece mecanicamente, sem compreender o que a prece realmente é. Como resultado, ficamos satisfeitos com os princípios naturais da sua ação, e deixamos de olhar adiante. Mas quem quer que tenha compreendido a natureza da oração continuará a busca. Percebendo que não importa quão diligentemente segue as instruções dos mais velhos as verdadeiras gratificações da oração ainda lhe escapam, ele deixará de esperá-las por seus próprios esforços e depositará toda sua esperança em Deus. A partir deste momento a graça pode fluir até ele; e, num dado momento conhecido somente por ela própria, ela transplantará a oração em seu coração. Todas as coisas, como nos ensinam os mais velhos, continuarão externamente iguais: a única diferença residirá em nosso poder interior.

O que é verdadeiro para esta prece é verdadeiro para todas as formas de crescimento espiritual. Um homem de temperamento quente pode estar pleno de desejo de acabar com a irritabilidade e obter a mansidão. Nos livros de ascetismo existem instruções de como disciplinar a si próprio para obter isto. Um homem pode ler estas instruções e segui-las; mas quão longe chegará por seus próprios esforços? Não mais longe do que silêncio externo durante os acessos de raiva, reprimindo somente o tanto da raiva que o auto-controle lhe permite. Por si mesmo, ele nunca conseguirá a completa extinção de sua raiva e o estabelecimento da mansidão em seu coração. Isto apenas acontece quando a graça invade o coração e ela mesma coloca a mansidão ali.

Isto é verdadeiro para toda qualidade espiritual. Qualquer coisa que possa estar buscando, busque-a com toda sua força, mas não espere que sua própria busca e seus esforços tragam frutos por eles mesmos. Ponha sua confiança no Senhor, nada atribuindo a si próprio, e Ele lhe dará o desejo do seu coração. (Sl. xxxvii. 3-4.)

Ore assim: ‘Eu desejo e busco, apressa-Te a mim, pela Tua justiça.’ O Senhor disse: ‘Sem mim, nada podeis fazer.’ (João xv. 5), e esta lei é cumprida com exatidão na vida espiritual; ela não se desvia nem por um fio de cabelo. Quando as pessoas perguntam: ‘O que devo fazer para adquirir esta ou aquela virtude?’ há uma única resposta: ‘Volte-se ao Senhor e Ele lha dará. Não há outro meio para encontrar o que você busca. ’



TEÓFAN, O RECLUSO



Human efforts and the grace of God



There are only a few words in the Jesus Prayer, but they contain everything. From of old it was recognized that this prayer, once acquired as a habit, could take the place of all other oral prayers. Is anyone who strives for salvation ignorant of this method? If used in the way described by the Holy Fathers, this prayer has great power; but among those who acquire the habit of reciting it, not all discover its power, not all taste of its fruits. Why should this be so? It is because they wish to grasp for themselves that which is a gift of God, coming only by His grace.

We do not need any special help from God in order to begin the work of repeating this prayer in the morning, in the evening, walking, sitting, lying down, working, or at leisure. By being always active in this way we can of ourselves train the tongue to repeat the Prayer even without conscious effort. A certain easement of thought may follow from this, even a kind of warmth of heart. But all of this, says the monk Nikephoros in the Philokalia, is only the action and fruit of our own efforts. To stop at this point is to remain satisfied merely with a parrot-like facility in reciting the words Lord, have mercy: it is to imagine that we have achieved something when in reality we have achieved nothing at all. This is what happens when we fall into the habit of repeating the words of this prayer mechanically without understanding what prayer really is. As a result we rest satisfied with the natural beginnings of its action, and cease to look any further. But whoever has truly understood the nature of prayer will continue to search. Realizing that no matter how diligently he follows the instructions of the elders the true rewards of prayer still elude him, he will cease to expect them from his own efforts and will lay all his hope on God. From this moment grace can flow into him; and at a moment known only to itself it will graft the prayer into his heart. Everything, as the elders teach us, will be outwardly the same: the difference will lie in our inner power.

What is true of this prayer is true of all forms of spiritual growth. A hot-tempered man may be filled with the desire to stamp out irritability and acquire meekness. In the books on asceticism there are instructions how to discipline oneself into achieving this. A man can read these instructions and follow them; but how far will he get by his own efforts? No farther than outward silence during bouts of anger, with only such quelling of the rage itself as self-control can afford him. He will never himself attain the complete extinction of his anger and the establishment of meekness in his heart. This only happens when grace invades the heart and itself places meekness there.

This is true of every spiritual quality. Whatever you may be seeking, seek it with all your strength, but do not expect your own search and efforts to bear fruit of themselves. Put your trust in the Lord, ascribing nothing to yourself, and He will give you your heart's desire (Ps. xxxvi. 3-4 Sept.)

Pray thus: ‘I desire and seek, quicken Thou me by Thy righteousness.’ The Lord has said 'Without me ye can do nothing' (John xv. 5), and this law is fulfilled with exactitude in the spiritual life; it does not swerve by a hair's breadth. When people ask ‘What must I do to acquire this or that virtue?’ there is only one answer: ‘Turn to the Lord and He will give it to you. There is no other way to find what you seek.’



THEOPHAN THE RECLUSE







Um córrego que murmura no coração



Na medida em que começar a se acostumar a orar como deve com as preces escritas por outros, suas próprias preces e invocações a Deus irão afluir em você. Nunca negligencie estas aspirações a Deus que se manifestam em sua alma. Toda vez que surgirem, esteja calmo, e ore com suas próprias palavras; nem pense que orando assim você prejudica a oração em si mesma. Não: somente deste modo você ora como deve, e esta prece ascende mais rapidamente a Deus que qualquer outra. Por esta razão há uma regra que se aplica a qualquer um: seja em casa ou na igreja, se sua alma deseja orar por sua própria conta e não com palavras de outros homens, dê liberdade a ela; deixe-a orar, mesmo se ela orar assim durante todo o serviço, ou deixar incompleta sua própria regra de oração em casa e não encontrar tempo para terminá-la.

Ambas as formas de oração são agradáveis a Deus – preces atenciosamente recitadas dos livros de oração e acompanhadas por adequados sentimentos e pensamentos sagrados; e preces sem livros vindas de suas próprias palavras. Apenas a oração negligente O desagrada, quando alguém lê as preces em casa ou permanece no serviço da igreja sem atentar para o significado das palavras: a língua lê ou o ouvido escuta, mas os pensamentos vagam sabe lá onde. Não há oração aqui. Mas, enquanto ambas as formas são agradáveis a Deus, a oração que não é lida, mas é sua própria, está mais perto do coração da questão e é muito mais proveitosa.

Não é suficiente, entretanto, apenas esperar pelo desejo de orar. Para se obter a oração espontânea, devemos nos forçar a orar de uma maneira particular – com a Oração de Jesus – não somente durante o serviço da igreja e durante a oração em casa, mas em todos os momentos. Homens experimentados na oração, escolhendo esta única oração endereçada ao Senhor e Salvador, estabeleceram regras para sua execução, de modo que com a ajuda delas podemos adquirir o hábito da oração auto-impelida ou espontânea. Estas regras são simples. Permaneça com a mente no coração diante do Senhor e reze a Ele: ‘Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tenha piedade de mim’. Faça isto em casa antes de iniciar as orações, nos intervalos entre elas, e no fim da oração; faça isto na igreja, e durante todo o dia, de modo a preencher cada momento do dia com a oração.

De início esta prece salvadora é, normalmente, uma questão de destemidos esforços e trabalho duro. Mas se a pessoa se concentra nela com zelo, ela começará a fluir por sua própria conta, como um córrego que murmura no coração. Esta é uma grande benção e vale à pena trabalhar duro para obtê-la.

Aqueles que com longos esforços obtiveram sucesso nesta oração prescrevem um exercício, não muito difícil, que rapidamente irá nos capacitar a dominá-la. Antes ou depois de sua regra de oração, de noite e de manhã ou durante o dia, consagre um período de tempo fixo para a execução desta única oração. Faça deste modo. Sente-se, ou – melhor ainda – fique numa posição de prece, concentre toda a sua atenção no coração diante do Senhor, completamente certo de que Ele está ali e o ouve, e O invoque: ‘Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tenha piedade de mim.’ Se quiser, acompanhe isto com inclinações da cintura, ou mesmo com prostrações. Faça isto por um quarto de hora ou meia hora – ou mais, ou menos – como lhe convir. Quanto mais zeloso seus esforços, mais rapidamente a oração será transplantada em seu coração. É melhor começar este trabalho com zelo, e não pará-lo até que tenha obtido o que deseja, e esta prece iniciar a mover por si mesma em seu coração. Depois disso você tem apenas que mantê-la em seu próprio curso.

O calor do coração ou brilho do espírito, sobre o qual falamos antes, só é obtido desta maneira. Mais a Oração de Jesus penetra no coração, mais quente o coração se torna, e, também, mais auto-impelido torna-se a oração, de modo que o fogo da vida espiritual é aceso no coração e sua combustão torna-se incessante. Ao mesmo tempo, a Oração de Jesus preencherá todo o coração, e nunca deixará de mover-se dentro dele. Esta é a razão pela qual aqueles em quem a vida interior perfeita está nascendo, oram quase que exclusivamente só com esta oração, incluindo-a inteiramente em suas regras de oração.



TEÓFAN, O RECLUSO

A brook that murmurs in the heart (p. 112)



As you begin to accustom yourself to praying as you should with prayers written by others, your own prayers and cries to God will well up in you. Never neglect these aspirations to God that manifest themselves in your soul. Every time that they arise, be still, and pray with your own words; nor think that in so praying you do harm to prayer itself. No: it is just in this way that you pray as you should, and this prayer ascends more quickly to God than any other. For this reason there is a rule applying to everyone: whether in church or at home, if your soul wishes to pray in its own and not in other men's words, give it freedom; let it pray, even if it prays thus during the whole service, or leaves undone its own rule of prayer at home and has not time to

fulfil it.

Both forms of prayer are pleasing to God—prayer recited attentively from prayer books and accompanied by suitable holy thoughts and feelings; and prayer without books and in your own words. Only perfunctory prayer is displeasing to Him, when someone reads the prayers at home or stands in church at the service without attending to the meaning of the words: the tongue reads or the ear listens, but the thoughts wander who knows where. There is no prayer here. But while both forms are pleasing to God, the prayer that is not read, but is your own, is nearer to the heart of the matter and much more fruitful.

It is not enough, however, just to wait for the desire to pray. To achieve spontaneous prayer, we must force ourselves to pray in a particular way—with the Jesus Prayer—not only during the church service and during prayer at home, but at all times. Men experienced in prayer, have chosen this one prayer, addressed to the Lord and Saviour, and have established rules for its performance, so that with its help we can acquire the habit of self-impelled or spontaneous prayer. These rules are simple. Stand with the mind in the heart before the Lord and pray to Him: ‘Lord Jesus Christ, Son of God, have mercy upon me.’ Do so at home before beginning prayers, in the intervals between prayers, and at the end of praying; do so in church, and all day long, so as to fill every moment of the day with prayer.

At first this saving prayer is usually a matter of strenuous effort and hard work. But if one concentrates on it with zeal, it will begin to flow of its own accord, like a brook that murmurs in the heart. This is a great blessing, and it is worth working hard to obtain it.

Those who with long endeavour have achieved success in this prayer prescribe a not very difficult exercise which will quickly enable us to master it. Before or after your rule of prayer, night and morning or during the day, consecrate a fixed period of time for the performance of this one prayer. Do it in this way. Sit down, or—better still—stand in a prayerful position, concentrate your attention in the heart before the Lord, in complete certainty that He is there and is listening to you, and call out to Him: 'Lord Jesus Christ, Son of God, have mercy upon me.' If you wish, accompany this with bows from the waist, or else with prostrations. Do this for a quarter or half hour—or more, or less—as it suits you. The more zealous your efforts, the more quickly will the prayer be grafted in your heart. It is best to begin this work with zeal, and not to cease until you have achieved what you wish, and this prayer starts to move of itself in your heart. After that you have only to maintain it in its course.

The warmth of heart or glow of spirit, about which we spoke before, is achieved in just this way. The more the Jesus Prayer penetrates into the heart, the warmer the heart becomes, and the more self-impelled becomes the prayer, so that the fire of spiritual life is kindled in the heart, and its burning becomes unceasing. At the same time the Jesus Prayer will fill the whole heart, and will never cease to move within it. That is why those in whom the perfect inner life is being brought to birth will pray almost exclusively with this prayer alone, making it comprise their entire rule of prayer.



THEOPHAN THE RECLUSE







O tesouro escondido da graça batismal



O dom que recebemos de Jesus Cristo no sagrado batismo não está destruído, mas somente escondido como um tesouro no chão. E tanto o bom senso como a gratidão exigem que se deva ter cuidado para desenterrar este tesouro e trazê-lo a luz. Isto pode ser feito de dois modos. O dom do batismo é revelado antes de tudo pelo meticuloso cumprimento dos mandamentos; quanto mais os colocamos em prática, mais claramente o dom brilha sobre nós em seu verdadeiro esplendor e brilho. Em segundo lugar, ele vem à luz e é revelado através da contínua invocação do Senhor Jesus, ou pela incessante lembrança de Deus, o que é uma única e mesma coisa. O primeiro método é poderoso, mas o segundo é ainda mais; tanto mais que mesmo a fidelidade aos mandamentos recebe sua plena força da oração. Por esta razão, se realmente desejamos desabrochar a semente da graça que está oculta em nós, devemos nos apressar a adquirir o hábito deste exercício do coração, e sempre praticar esta prece nele, sem qualquer imagem ou forma, até que ele aqueça nossa mente e incendeie nossa alma com um inexpressível amor por Deus e pelos homens.



S. GREGÓRIO DO SINAI



The buried treasure of baptismal grace (P. 115)



The gift which we have received from Jesus Christ in holy baptism is not destroyed, but is only buried as a treasure in the ground. And both common sense and gratitude demand that we should take good care to unearth this treasure and bring it to light. This can be done in two ways. The gift of baptism is revealed first of all by a painstaking fulfilment of the commandments; the more we carry these out, the more clearly the gift shines upon us in its true splendour and brilliance. Secondly, it comes to light and is revealed through the continual invocation of the Lord-Jesus, or by unceasing remembrance of God, which is one and the same thing. The first method is powerful but the second is more so; so much so that even fidelity to the commandments receives its full strength from prayer. For this reason, if we truly desire to bring to flower the seed of grace that is hidden within us, we should hasten to acquire the habit of this exercise of the heart, and always practise this prayer within it, without any image or form, until it warms our mind and inflames our soul with an inexpressible love towards God and men.



ST. GREGORY OF SINAI











Ceia em Emaús (Lucas xxiv. 13-35) – Rembrandt - 1648



Aja sempre com grande humildade. A necessidade de um guia espiritual



Esta oração é chamada de Oração de Jesus porque é endereçada ao Senhor Jesus, e como qualquer outra oração curta, em sua forma exterior, é verbal. Ela torna-se oração interior, e assim deve ser chamada, quando é ofertada não somente com palavras, mas com a mente e o coração, com sentimento e ciência do seu conteúdo; e especialmente quando através de prática prolongada e atenciosa, estiver tão fundida com os movimentos do espírito que só estes últimos são aparentes e as palavras parecem desvanecer-se. Toda oração curta pode elevar-se a este nível. A preferência é dada à Oração de Jesus porque ela une a alma com o Senhor Jesus: e Ele é a única porta de comunhão com Deus, que é a meta de toda prece. Ele próprio disse: “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João xiv, 6) Portanto, quem quer que adquira esta prece ganha para si todas as riquezas da divina criação da Encarnação, onde reside nossa salvação. Ouvindo isto, você não ficará abismado por aqueles que em seu zelo pela salvação não pouparam esforços para ganhar o hábito desta prece, fazendo da sua força a deles próprios. Siga o exemplo deles.

O hábito da Oração de Jesus é externamente dominado quando as palavras começam, por elas mesmas, a se mover incessantemente na língua. Sua conquista interior envolve a indivisa atenção da mente no coração e constante permanência do ser, pleno, diante de Deus; acompanhado por vários graus de calor no coração, pela rejeição de todos os outros pensamentos, e, acima de tudo, por um contrito e humilde abrir-se ao Senhor e Salvador. Este estado espiritual é conquistado através da repetição da Prece tão frequentemente quanto possível, com nossa atenção firmemente estabelecida no coração. Através da perseverança nesta continua repetição, nós unificamos a mente de modo que ela permanece em plenitude diante de Deus. O estabelecimento de tal ordem dentro de nós mesmos é acompanhado pelo aquecimento do coração, e é seguido pela expulsão de todos os pensamentos, tanto os comuns e inofensivos como aqueles apaixonados. Quando a chama de nosso anseio por Deus começa a queimar incessantemente no coração, a ela se juntará uma sensação de paz interna na alma, como se a mente se aproximasse do Senhor em humildade e contrição

Nossos próprios esforços (sustentados pela graça de Deus) chegam somente até aí: qualquer prece superior a isto somente será um dom da graça. Os Santos Padres mencionam isto com o único propósito de mostrar àqueles que alcançaram o estágio que apenas descrevi; que eles não devem achar que nada mais têm a desejar, nem que possam imaginar que estão no verdadeiro cume da plenitude da prece ou da perfeição espiritual

Não se apresse com uma oração depois da outra, mas as diga com ordenada deliberação, como alguém que, naturalmente, se dirigisse a uma grande pessoa para pedir um favor. Também não preste atenção somente às palavras, mas, ao invés disso, permita que a mente esteja no coração, de pé diante do Senhor, com plena ciência da Sua presença, com plena consciência de Sua grandeza, graça e justiça.

Para evitar erros, tenha alguém para lhe aconselhar – um pai espiritual ou confessor, um irmão de mente similar; e faça-o saber de tudo que lhe acontece com o trabalho da prece. Por si mesmo, aja sempre com grande humildade e com a máxima simplicidade, não atribuindo nenhum sucesso a si mesmo. Saiba que o verdadeiro sucesso é conquistado dentro, inconscientemente, e acontece de modo tão imperceptível quanto o do crescimento do corpo humano. Desse modo, quando você ouvir uma voz interior dizendo: “Ah! É isto!” você deveria perceber que esta é a voz do inimigo, mostrando a você uma miragem ao invés da realidade. Este é o início do auto-engano. Abafe esta voz imediatamente, de outro modo ela ressoará em você como uma trombeta, inflando seu amor-próprio.



TEÓFAN, O RECLUSO

Act always in great humility. The need for a spiritual director



This prayer is called the Jesus Prayer because it is addressed to the Lord Jesus, and like every other short prayer, in its outward form it is verbal. It becomes inner prayer, and must be so called, when it is offered not only in words but with the mind and heart, with feeling and with awareness of its content; and especially when through long and attentive practice, it is so fused with the movements of the spirit that these last alone are apparent and the words seem to vanish. Every short prayer may rise to this level. Preference belongs to the Jesus Prayer because it unites the soul with the Lord Jesus: and He is the only door to communion with God, which is the aim of all prayer. He himself said: 'No man cometh unto the Father but by me* (John xiv. 6). Whoever, therefore, has acquired this prayer wins for himself the whole riches of the divine husbandry of the Incarnation, wherein lies our salvation. Hearing this, you will not be astonished at those who in their zeal for salvation spared no effort to gain the habit of this prayer, and made its strength their own. Follow their example.

The habit of the Jesus Prayer is outwardly mastered when the words begin by themselves to move incessantly on the tongue. Its inward achievement involves the undivided attention of the mind in the heart and constant standing of the whole being before God, accompanied by varying degrees of warmth of heart, by the casting off of all other thoughts, and above all by contrite and humble cleaving to the Lord and Saviour.

This spiritual state is achieved by repeating the Prayer as frequently as possible, with our attention firmly established in the heart. By persevering in this continual repetition we unify the mind so that it stands in wholeness before God. The establishment of such an order within ourselves is accompanied by the warming of the heart, and it is followed by the driving away of all thoughts, ordinary and harmless as well as passionate. When the flame of our longing for God begins to burn unceasingly in the heart, it will be joined by a sense of inward peace in the soul, as the mind draws near to the Lord in humility and contrition.

Our own efforts (supported by God's grace) reach only thus far: any prayer higher than this will be the gift of grace alone. The Holy Fathers mention this with the sole purpose of showing those who have reached the stage I have just described, that they should not think that they have nothing more to wish for, nor imagine that they stand on the very summit of prayerful or spiritual perfection.

Do not rush one prayer after another, but say them with orderly deliberation, as one would normally address a great person from whom one asked a favour. Yet do not just pay attention to the words, but rather let the mind be in the heart, standing before the Lord in full awareness of His presence, in full consciousness of His greatness and grace and justice.

For the avoidance of errors, have someone to advise you—a spiritual father or confessor, a brother of like mind; and make known to him all that happens to you in the work of prayer. For yourself, act always in great humility and with the utmost simplicity, not ascribing any success to yourself. Know that true success is achieved within, unconsciously, and happens as imperceptibly as the growth of the human body. Therefore when you hear an inner voice saying: ‘Ah! Here it is!’ you should realize that this is the voice of the enemy, showing you a mirage rather than the reality. This is the beginning of self-deception. Stifle this voice immediately, otherwise it will resound in you like a trumpet, inflating your self-esteem.



THEOPHAN THE RECLUSE





José, Filho de Jacó, acusado pela Esposa do Potifar (Gênesis Cap.39 7-23)- – Rembrandt - 1655



Nenhum progresso sem sofrimento



Deve ser percebido que o verdadeiro sinal do empenho espiritual e o preço do sucesso nele é o sofrimento. Aquele que prossegue sem sofrimento não colherá fruto. Dor do coração e esforço físico trazem à luz o dom do Espírito Santo, outorgado no sagrado batismo sobre todo crente, escondido pelas paixões através de nossa negligência em colocar em prática os mandamentos, e trazido uma vez mais à vida pelo arrependimento, através da indescritível misericórdia de Deus. Por causa do sofrimento que os acompanha, não cesse de fazer diligentes esforços para que você não seja condenado como infrutífero e ouça as palavras: ‘Tirai-lhe o talento que tem’ (Mateus xxv. 28). Cada luta no treinamento da alma, seja física ou mental, que não é acompanhada por sofrimento, que não exige o máximo esforço, não dará fruto. ‘O Reino dos Céus sofre violência, e os violentos o tomam pela força.’ (Mateus. xi. 12). Muitas pessoas trabalharam e continuam a trabalhar sem dor, mas por causa desta ausência elas são estranhas à pureza e afastadas da comunhão com o Espírito Santo, porque se desviaram da severidade do sofrimento. Aqueles que trabalham débeis e descuidadamente podem ir através de movimentos que pedem grandes esforços, mas não colhem nenhum fruto, porque não se submetem a nenhum sofrimento. De acordo com o profeta, a menos que nossos lombos sejam quebrados, enfraquecidos pelo labor do jejum, a menos que sejamos submetidos a uma agonia de contrição, a menos que se sofra como uma mulher no parto, não seremos bem sucedidos em dar nascimento ao espírito da salvação no solo de nosso coração.



TEÓFAN, O RECLUSO



No progress without suffering (p. 117)



It must be realized that the true sign of spiritual endeavour and the price of success in it is suffering. He who proceeds without suffering will bear no fruit. Pain of the heart and physical striving bring to light the gift of the Holy Spirit, bestowed in holy baptism upon every believer, buried in passions through our negligence in fulfilling the commandments, and brought once more to life by repentance, through the ineffable mercy of God. Do not, because of the suffering that accompanies them, cease to make painstaking efforts, lest you be condemned for fruitlessness and hear the words, ‘Take the talent from him’ (Matt. xxv. 28). Every struggle in the soul's training, whether physical or mental, that is not accompanied by suffering, that does not require the utmost effort, will bear no fruit. 'The kingdom of heaven suffereth violence, and the violent take it by force' (Matt. xi. 12). Many people have worked and continue to work without pain, but because of its absence they are strangers to purity and out of communion with the Holy Spirit, because they have turned aside from the severity of suffering. Those who work feebly and carelessly may go through the movements of making great efforts, but they harvest no fruit, because they undergo no suffering. According to the prophet, unless our loins are broken, weakened by the labour of fasting, unless we undergo an agony of contrition, unless we suffer like a woman in travail, we shall not succeed in bringing to birth the spirit of salvation in the ground of our heart.



THEOPHAN THE RECLUSE







Deus Sustentando o Cristo Crucificado – Holanda – Séc. XV



O outro lado do Jordão



A prática da Oração de Jesus culmina na obtenção da pura prece, que é coroada por impassibilidade ou perfeição Cristã – um dom de Deus, que Ele concede aos lutadores espirituais como Lhe agrada escolher.

S. Isaac, o Sírio diz: ‘O dom da pura prece não é concedido a muitos, mas somente a poucos. De uma geração para outra, raramente uma única pessoa alcança a realização do mistério em pura prece e, pela graça e pelo amor de Deus, alcança o outro lado do Jordão. ’



BISPO IGNATII

The other side of Jordan (p. 117)



The practice of the Jesus Prayer culminates in the attainment of pure prayer, which is crowned by passionlessness or Christian perfection—a gift of God, which He grants to such spiritual wrestlers as it pleases Him to choose.

St. Isaac the Syrian says: ‘Not many are granted the gift of pure prayer, but only the few. From one generation to another, there is scarcely a single person who attains to the mystery fulfilled in pure prayer and who, by the grace and love of God, reaches the other side of Jordan.’

BISHOP IGNATII

Nenhum comentário:

Postar um comentário